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quinta-feira, 19 de maio de 2016

Por causa de um número- Meg Cabot

    
A Meg Cabot é uma fofa, uma super escritora, por isso gostaria de compartilhar aqui alguns textinhos dela.

   Ninguém fala em ter 14 minutos de fama. Taylor Swift nunca escreveu uma música sobre desilusões amorosas e também sobre as esperanças e possibilidades de ter 14 anos. E meus pais não tinham uma regra que dizia que eu podia namorar assim que eu completasse 14 anos. Não, 15 era o número mágico. Então porque na noite do meu aniversário de 15 anos, eu estava me matando de chorar?
    Eu tinha que estar muito feliz. Todd*, o cara por quem eu era apaixonada desde que comecei a escola, tinha me chamado para sair!
Mas quando eu perguntei a meus pais se eu podia ir, eles disseram que não, porque, quando o Todd me convidou eu ainda tinha 14 anos. E a regra deles era nada de encontros até que eu fizesse 15 anos. Então eu tive que recusar o convite."Mas, por favor, me chame de novo daqui a quatro meses", eu implorei a ele.
    Todd prometeu que me chamaria. Mas, na noite do meu aniversário de 15 anos, onde ele estava? Tinha saído com uma outra garota. E não era qualquer garota. Era a Danielle*, uma amiga minha que sabia o quanto eu gostava do Todd(porque eu contei pra ela... E também para todas as pessoas com quem eu esperava o ônibus da escola todas as manhãs, incluindo um garoto mais velho lindo que só apareceu porque a moto dele tinha quebrado). Agora, graças a minha boca grande, Todd tinha sido roubado de mim para minha agora ex-amiga.
"Se ele gosta dela", diziam meus amigos de verdade,"em vez de gostar de você, ele é um perdedor. Daqui a 15 anos, vocês não vai nem lembrar o nome dele." Parecia difícil de acreditar. Lá estava eu, finalmente, com 15 anos. Mas parecia quase certo que eu jamais sentiria a emoção de ter um garoto dizendo que me amava. Porque o garoto de quem eu gostava estava beijando outra garota e fazendo a cabeça DELA rodar.
Ainda assim, parecia má sorte começar meus 15 anos chorando. Por isso depois que os meus amigos terminara o sorvete e o bolo e foram para casa, eu peguei o diário que um deles tinha me dado de presente e escrevi uma carta para mim mesma: "Querida Meg. Daqui a 15 anos, você estará estrelando um espetáculo na Broadway e terá tantos admiradores que não vai nem lembrar do Todd. Mas você vai para sempre se lembrar de como foi fazer 15 anos. E de como tudo começou".
    Nesse momento, minha carta foi interrompida pela minha mãe, colocando a cabeça pela porta do meu quarto. "Tem alguém na porta para você", ela disse, os olhos dela brilhavam. "É um garoto! Ele trouxe flores!" Eu sabia quem era, claro: Todd. A ficada dele com Danielle não deve ter sido tão boa(não me diga!), e agora ele estava ali para implorar que eu o aceitasse de volta, do mesmo jeito que eu implorei para que ele não se esquecesse de mim quatro meses antes. "Vai logo!", disse minha mãe, empolgada. Passei um tempão colocando maquiagem para disfarçar minha cara de choro. Mas, quando eu desci as escadas, fiquei chocada ao ver que não era o Todd! Era o garoto mais velho da minha parada de ônibus, aquele da moto, que tinha ouvido os meus problemas.
    "Oi", ele disse, segurando um buquê de margaridas. "Fique sabendo que era seu aniversário. Queria te dar essas flores." "Obrigada", eu disse pegando as flores, meio confusa. "Eu também estava pensando", ele disse, "Se você gostaria de sair comigo um dia desses..." Ele estava fazendo a minha cabeça rodar tão rápido que eu me esqueci do básico "Qual é o seu nome?" "Eu adoraria", respondi.
    As coisas não acabaram como eu tinha previsto naquela carta que escrevi para mim. Quinze anos depois eu virei uma escritora, não uma estrela de Broadway. E eu ainda me lembro do nome do Todd, ainda que tenha tido outros admiradores. Mas de uma coisa eu tenho certeza: isso tudo começou quando eu fiz 15 anos, esse número mágico, tão cheio de desilusões amorosas... Mas também de esperanças e possibilidades.
 Meg Cabot
Publicado na revista capricho.

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